Como o edge computing vai transformar as necessidades de segurança da sua empresa

Tempo de Leitura: 6min

Escrito por Natália Scalzaretto

Em 12 de May de 2020

Se a computação em nuvem revolucionou a TI na última década, os próximos dez anos serão marcados pelo avanço da computação em borda (edge computing). A mudança de uma tendência de centralização para uma arquitetura distribuída gerará inovações sem precedentes, mas esse salto de tecnologia precisa ser acompanhado também por uma nova abordagem de segurança, que privilegie a complementaridade dos modelos.

O grande trunfo da nuvem foi permitir a centralização dos recursos em grandes infraestruturas — muitas vezes terceirizadas para provedores como Amazon, Microsoft, IBM e Google — e sua disponibilização via internet. Isso permitiu que empresas de todos os setores pudessem reduzir custos com manutenção de datacenters, ampliar a disponibilidade de arquivos e aplicações e escalar recursos de acordo com as necessidades, além de abrir o caminho para o surgimento de milhões de startups que jamais poderiam arcar com esses gastos sozinhas. 

Este modelo está longe de acabar, mas está prestes a se transformar. Com o surgimento de tecnologias como carros autônomos e internet das coisas (IoT), a distribuição da capacidade de processamento se tornou fundamental — e é aí que o conceito de edge computing ganha espaço. 

A IBM define a edge como uma estrutura de computação distribuída que aproxima as aplicações das fontes dos dados. Em outras palavras: “é a capacidade de processar os dados onde eles foram gerados”, seja no próprio dispositivo ou em um pequeno datacenter local. Após uma triagem inicial dos dados críticos, todas as informações são enviadas para a nuvem, onde podem ser armazenadas e processadas. Mas, afinal, como isso pode beneficiar as empresas? 

Ao permitir que o processamento ocorra nos dispositivos, ou seja, na borda da rede, sem precisar percorrer todo o caminho até a nuvem, a latência — ou o “tempo de resposta” —  é reduzida significamente e é possível obter insights em tempo real. Para os usuários, isso pode gerar uma série de benefícios: desde uma experiência melhor para aplicações de realidade virtual/realidade aumentada até permitir uma direção mais segura em veículos autônomos ou possibilitar que médicos façam cirurgias operando robôs à distância.  

Um estudo da consultoria Chetan Sharma Consulting patrocinado pela AlefEdge estima que, até 2030, o ecossistema econômico da edge valerá mais de 4 trilhões de dólares. Naturalmente, quem se posicionar primeiro neste mercado terá grandes vantagens. 

O futuro já chegou

Estes exemplos podem parecer distantes do cotidiano das empresas e cidadãos comuns, mas a verdade é que já estão orientando os investimentos do setor inclusive no Brasil. Uma reportagem recente do jornal Valor Econômico informa que a operadora de telefonia TIM contava com 11 data centers voltados para edge no Brasil e pretendia expandir este número a 21. 

Iniciativas como esta devem ganhar fôlego daqui para frente, com a chegada da rede 5G no Brasil, um elemento fundamental neste processo. A rede 5G apresenta uma velocidade de download de 10 gigabits por segundo (Gbps), o que é dez vezes superior à de uma rede 4G. Além disso, a latência dela é de apenas 1 milissegundo, versus os 50 ms, em média, do 4G. 

Por enquanto, a rede 5G ainda não está em operação no Brasil, mas o leilão do espectro da rede pela Anatel está previsto para o final de 2020. Com isso, a GSMA acredita que, em 2023, é possível que a rede passe a operar comercialmente por aqui. E, para se ter uma ideia do potencial de crescimento desse mercado, a consultoria Ovun estima que, neste ano, o 5G atingirá 75 milhões de conexões, apenas na América Latina.   

Além do 5G, tecnologias como a virtualização são essenciais para dar suporte aos pequenos data centers de edge pois, ao realizar funções como armazenamento e processamento com base em software, ampliam a capacidade de equipamentos de hardware — ou seja, possibilitam que as empresas operem datacenters com menos recursos. Entre as tecnologias que utilizam a virtualização está a infraestrutura hiperconvergente, que integra computação, armazenamento e virtualização em uma só solução. Saiba mais sobre este tipo de infraestrutura comercializada pela FastHelp neste post

Desafios são oportunidades

Como toda tecnologia inovadora, a edge exigirá um esforço extra por parte dos profissionais de TI e empresas em termos de capacitação das equipes, atualização de equipamentos e, claro, processos de segurança.

O livro “Edge Computing: From Hype to Reality”, editado por Fadi Al-Turjman cita um total de 27 ameaças à edge, incluindo perda, manipulação, replicação e vazamento de dados, manipulação de serviços, APIs inseguras, além de ameaças bastante tradicionais, como ataques man-in-the-middle e até danos físicos aos equipamentos de hardware.  

Mais do que nunca, o complexo cenário de ameaças às quais a edge está sujeita mostra o quanto é importante uma abordagem de segurança abrangente para garantir a proteção deste novo formato de infraestrutura.

“As estruturas se conversam para funcionar, não tem uma solução única para edge”, explica o gerente de contas da Fast Help, Alexandre Gariglio. “O que os fabricantes tentam fazer hoje é não um ponto único de segurança, mas um conjunto de soluções que seja aceitável.”

Para Alexandre, a estratégia de camadas de segurança é fundamental para a computação de borda, uma vez que a distribuição dos pontos de acesso dificulta o controle e monitoramento. 

“Vamos supor que eu tenha um dispositivo IoT, como uma televisão. Eu não consigo colocar um antivírus na televisão, mas posso ter ferramentas externas para verificar se ela está com algum tipo de vulnerabilidade. E isso abrange a rede interna até a cloud, um conjunto de soluções com inteligência por trás”, diz.  

Além disso, uma arquitetura distribuída exige uma política de segurança interna ainda mais rigorosa. Medidas como separação de redes por meio de firewalls, uso de antivírus nos equipamentos que suportam este tipo de software e criptografia de dados são essenciais. No entanto, o vetor mais importante para evitar contaminações a partir da ponta da rede segue sendo a criação de uma cultura de cibersegurança.  

“Quando você pensa em um governo ou empresa que está dando acesso a IoT para os funcionários, é essencial que eles entendam como a segurança é importante. Na FastHelp nós oferecemos as soluções de segurança, mas também treinamentos, ensinando os funcionários a se atentar ao que estão acessando, para que a segurança não se limite à venda de uma solução”, conta Alexandre.  

A FastHelp está pronta para ajudar as empresas em seu processo de transformação digital e jornada rumo à edge, oferecendo apoio desde a escolha de equipamentos e soluções até o treinamento dos funcionários e serviços gerenciados (SOC) de monitoramento e gestão da segurança. Para saber mais, entre em contato.  

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