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Governo usará AI para mapear casos de Covid-19; saiba como evitar golpes

Tempo de Leitura: 15min

Escrito por Natália Scalzaretto

Em 2 de April de 2020

Uma medida urgente

No dia 31 de março, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou que o governo federal entrará em contato com 125 milhões de brasileiros para mapear possíveis casos de Covid-19, em um esforço para identificar potenciais focos da epidemia do coronavírus no país. No entanto, ainda não foram anunciadas medidas para proteger os dados desses cidadãos, o que exige cautela redobrada dos brasileiros. 

A iniciativa, explicou o ministro, é uma tentativa de controlar a epidemia. A partir dos dados coletados, o governo espera montar ações coordenadas de bioestatística e mobilidade social para identificar o que chamam de “zonas quentes de disseminação do vírus” e direcionar recursos.

“O mundo inteiro trabalha fazendo testes para identificar pessoas e depois rastrear onde elas passaram. A gente fez um algoritmo com um disparo de ligações para 125 milhões de brasileiros ligado num grande datacenter para que o conjunto dessas informações antecipe quem é de risco, onde está, quem está em contato com quem, qual o nome, e isso deve ser uma grande ferramenta de gestão de pessoas”, disse o ministro, em coletiva de imprensa.

O ministro explicou que as ligações serão feitas por meio de uma URA (Unidade de Resposta Audível) – similar aos “robôs” usados em terminais de autoatendimento; ele antecipou ainda que o sistema é novo e que podem ocorrer intempéries, mas acredita que ajudará no combate à epidemia.

“Então não se espantem se receberem as ligações. É uma espécie de URA que vai fazer uma consulta, vai te perguntando, você vai respondendo, a voz artificial vai triando e aí ela começa a acompanhar. O sistema com inteligência artificial vai triando, começa a acompanhar e dizer: posso te ligar daqui a oito horas, dez horas, 12 horas?”, disse o ministro.

No entanto, não foram especificados quais cuidados o governo federal adotará em termos de segurança da informação. O ministro não detalhou se haverá alguma campanha de conscientização da população informar exatamente o que será perguntado, evitando que os brasileiros sejam vítimas de golpes; também não houve detalhamento sobre medidas de segurança para o armazenamento dos dados, como a anonimização. 

Como funciona esse tipo de tecnologia?

Apesar de o sistema ter sido desenvolvido dentro do próprio governo, isso não significa que está imune a fraudes. O analista Whitiney Melo, da FastHelp, explica que existem vulnerabilidades que afetam a tecnologia VoIP – que usa a internet para realizar chamadas de voz – e podem provocar queda do sistema e até permitir que criminosos assumam o controle da plataforma e a utilizem para golpes. 

Funciona assim: o sistema precisa de um software (que pode ser proprietário ou gratuito), que opere dentro do servidor montado pela organização. No entanto, esse software precisa ter contato com o exterior para realizar as chamadas, o que ocorre pela internet. Para evitar que esse software seja atacado na internet e traga vulnerabilidades para dentro do sistema, as organizações costumam montar várias camadas de segurança utilizando ferramentas como o Next Generation Firewall. Entre as vulnerabilidades mais comuns, estão o flooding e DDoS, que sobrecarregam o serviço, fazendo com que saia do ar. 

Embora a queda do sistema seja um transtorno, o maior perigo está quando os criminosos tentam invadir a sessão de VoIP para utilizá-la de acordo com seus propósitos. Isso pode ser feito através de códigos que serão executados da forma com o hacker determinar e, apesar de ser uma operação mais complexa, é possível encontrar códigos maliciosos com esse objetivo na internet, relata o analista. 

“É mais difícil de executar isso, mas o dano é exponencialmente maior, pois o usuário, achando que está lidando com uma fonte confiável do governo, pode dar dados sensíveis”, conta Withiney.

Fique atento aos canais oficiais do Ministério da Saúde

A tecnologia é uma das melhores armas no combate ao coronavírus e o monitoramento dos pacientes pode ajudar, de fato. Mas vale lembrar que criminosos estão se aproveitando deste momento de pânico para aplicar golpes usando o nome de empresas – e, como destacamos, nem mesmo as entidades do governo estão imunes. 

Em seu site, a Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel) alertou que não envia links por WhatsApp ou por SMS, nem faz promoções ou dá prêmios, após ser notificada de tentativas de golpe com seu nome, como supostos acessos gratuitos à internet, usando o nome da agência. 

A melhor forma de evitar qualquer tipo de ciberataque e proteger seus dados é sempre adotar boas práticas de segurança. Uma vez que o ministério pretende entrar em contato através de uma URA, desconfie de ligações feitas por pessoas, especialmente se fizerem perguntas que não são relativas à doença. Além disso, outros cuidados podem ajudar a mantê-lo mais seguro neste momento tão difícil. Confira;

Jamais forneça números de documentos ou dados financeiros

Dados Pessoais

Nome

E-mail

Estado Civil

Profissão

Renda Familiar

Título de eleitor

CPF

RG

Endereço Residencial

Dados Bancários

Dados Sensíveis

Peso e Altura

Se é fumante

Consumo de álcool

Gênero

Autodeclaração de Religião

Se toma remédio controlado

Filiação Sindical

Autodeclaração de Raça

Orientação sexual

Ao fornecer informações como número do CPF, RG, data de emissão dos documentos e até nome dos pais, o cidadão pode ficar vulnerável a fraudes. Portanto, jamais dê este tipo de informação sensível, alerta o Gerente de Conta Ismael Amorim. 

Outro tipo de dado sensível e que costuma ser utilizado para fraudes são as informações financeiras. Além de não fornecer informações como número de conta corrente ou cartão de crédito, os analistas orientam a não informar dados como a renda básica da família. Por outro lado, é possível que perguntem quantas pessoas moram na mesma residência para monitorar quantas pessoas podem estar contaminadas com coronavírus caso haja suspeita.  

Evite compartilhar dados sensíveis e dados pessoais

De acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados, dados sensíveis incluem “origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural”. 

Como a intenção do sistema é combater a pandemia, é possível que sejam questionadas informações relativas ao sintomas do Covid-19, como febre, tosse e falta de ar. No entanto, preste atenção a “qualquer questionamento que não vise eliminar a proliferação do contágio comunitário”, como alerta Sabino Lima, analista da FastHelp.

Cuidado com links e informações digitais

Emails também são informações pessoais e podem ser utilizados para ataques generalizados, uma vez que servem como login para diversos outros sites, portanto evite informá-los. Outra dica importante dos analistas é tomar todo cuidado com ligações e mensagens que pedem que o usuário clique em links ou acesse a determinados sites. Esses endereços podem conter arquivos maliciosos e tornar o usuário vítima de ataques como o phishing, em que os dados do usuário são roubados e utilizados em fraudes.

Suspeita que foi vítima de um golpe?

Uma forma de evitar esse risco é conferindo os endereços eletrônicos antes de sequer acessar o site. O governo brasileiro sempre utiliza o domínio “.gov.br” em seus sites oficiais, e não “.com.br”; perfis de redes sociais, como Twitter e Instagram, utilizam um pequeno ícone azul para informar que são contas oficiais e verificadas pelas empresas e, portanto, canais oficiais de informação. Outra fonte oficial de informação é o aplicativo que o Sistema Único de Saúde (SUS) desenvolveu para informar a população sobre medidas de prevenção, disponível neste link para Android e iOS.

A FastHelp está engajada na prevenção contra o coronavírus, mas também focada em continuar fornecendo informações de qualidade para manter a segurança das suas informações. Continue acompanhando o blog para mais informações e atualizações. 

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